O que é que tá procurando aí?
Com esses zoinhos murchos e pretinhos
Quer o mundo, com voltas, carinhos
Quer é amor, pra transbordar
Quer é paz, para se estufar
Da morena os olhos pretinhos
Morena risonha, belinha, minha
Baixinha que nem quando menina
Mas é mulher, exclama, reclama
Faz, diz, mais, quis, é capaz
Mas os zoinhos ainda são iguais
E quando de mulher, tens chama
Procura carinho, faz drama, difama
Com os zoinhos pedintes a seguir
Queria me dar, e estavam eles a me procurar
No fundo era só graça, moçada
Era só você a cantar de feliz
Direito não tive de distrair teu olhar
Quando estão molhados, os zoinhos
Eu nem posso olhar
Tão fundinhos, tão murchinhos de apreço
Dá-me a vontade de também chorar
Mas nem posso olhar a lágrima
Eu sou menos, não mereço
Veja bem meu retrato
Homem feito de trapo e trapo
Vejo que sou infeliz, o culpado
Pois faço dos zoinhos um mar
Deveria agradecer
Por receber tanto amar
Então, entre esses versos todos
Só queria dizer com simpleza
que sou pequeno, nem sou alteza
nem tenho a felicidade onde encostar
meu amor vai ajudar
eu hei de consertar tal despesa
No fim, se os zoinhos me procuram
É por que ainda tenho um tentar
De fazê-los alegrar, meu bem
Daí se tudo envolta é feito de mentira
Sorria com os zoinhos
e deixa que o mundo gira sozinho também
Marcel Scognamiglio










