Eu brinquei de qualquer palavra que me escapava: acidente.
"Escrever é não caber em si" Marcel Scognamiglio.
Já não existe mais assim
tempo para o tempo,
tempo para o balançar
tempo para mim.
Sorte vaga dos que me cercam,
que não tem seu tudo sugado,
tudo aquilo de tempo
podem andar assim desmandados.
As batidas então simulam fuga,
de tempo pelas mãos ásperas
sujas horas ou longas demais,
relembram-me só lástimas.
Então vejo seu rosto nu,
exacerbado de cansaço e glória,
por ter tempo, mesmo que quase nada
instantes acarinhados só de olhos nos olhos.
Nosso suor é sagrado
não é só menção dos livros
passados, azul ou vermelho
o mundo está dentro.
O arsenal do fim será transformado.
Ideologia, fascínio e genocídio
guerras macabras e poderes
errados, as mãos cicatrizadas
chega de tréplicas sujas, de inveja.
Cala-te a ambição, conhece te o irmão.
Trata-lhe como bendito; não ao gesso.
ja não é o mundo o que passou no ar
passados os dias nos restam reflexos
solo danoso que por plantio faz chorar
Cabe salvar-nos. Encontrar-nos.
Vós; ela e tu, dai-vos mãos
atadas e juntas, todas.
Plantemos a semente do acidente colá.
Juntais também lágrimas
erradas e depejais aqui ao oceano perdidas
Chega de tempo,
moeda da morte, não queremos ser certos.
somos os artilheiros da nova era; prontos
para morrer e dar vida nova aos pulmões eternos.
Somos eternos e essa dor não existe.
22/08/09
Sobre minha nova casa
Creio que a clausura pela qual optei no ultima mês, fez de minha rotina-bagunça um projeto de ordem e progresso e mais: o tempo que passava por mim as pirraças e traças despercebidas agora se move da maneira a qual me convém no final. Creio que convenha.
05/10/09
Sobre os problemas
Toda a problemática me apetece. Serei sincero quanto ao meu real tesão para com a complexidade de a qualquer coisa; muitas vezes me perco e esqueço de mim dentro as reflexões ora eventuais, ora sistemáticas e abissais sinto uma necessidade enorme em explicar tudo que me vidra os olhos: desenho em caixões, animais exóticos, comportamentos extras e, falando de um grau qual me arrisco as vezes, não sem temor; as mulheres, principalmente as problemas.
***
Fraudei meu perfume das roupas
que fez-lhe sentir
lembrar dos passos que fiz
até te encontrar
Frudei também as caras e bocas
que fizeram-te um nada
a voar sozinha, enganada
por cima duma estrada em verdades aladas
Fingi dores e escalei muros
para gritar-te amor;
- Amar me para sempre!
Quando o sempre era dor.
Fingi que a tristeza abrançava agonia
á você ao desdém de face lado
enquanto dizia-me que teu amor
por mim era dessas coisas do passado.
25/10/09
Vive-se de luxúria
engana-se os olhos
até os sentidos em lamúria
Só não podes enganar o tempo
a moeda da morte trocada
por trocos e realizações irrealizáveis.
É preciso fazer doer o comodo
desamarrar-se do que creditou
desencorajar o que já jurou
recuperar o amor das coisas vazias
e dá-lo as pequenas e eternas
para enfim, ser feliz para o resto dos dias.
Realize o quão o homem é absurdo
estúpido, egocentrista, dono da caverna
imagine que ele fala de justiça, qual fruto?
e nasce assim uma sociedade rasa e chula
sem escrúpulo; sem calor, é nula
Em quantos anos mais aprenderemos?
Máquinas sólidas brotam, e todos fazem apontar
Não vêem que elas são o reflexo sonhado
da força, da inteligência e do poder
que antes atribuiam paus ocos; santos
cairam, partindo-se em pedaços
ao vento dos anos despertos do povo à socos
Fala de sistema, bravo soldado vermelho
mas ele é o fruto onipresente que se tem.
Tudo o que gira, tudo o que credita e até o que não.
Não tente negá-lo então, pois
de dentro pra fora, o ele é você.
E você é ele.

Pó de areia branca cristalina
faz de mim um covarde sem vontade
um coitado ajoelhar-se por dó.
Cansei-me dos amores doentes,
das paixões florecentes, dos abraços ardentes
do tédio das transas sem prazer algum.
Carrego o fardo de estar farto
da verdade e da mentira, não movi nada
nem criei algo maior que eu, para viver consolado
E então digo também que bastei-me
destas roupas que não me servem mais, nem bem
nem suporto o meu cheiro em mim
***
29/04/09
arte: *TristanGreer

"Para meus filhos, quando os tiver."
Iaiá levanta denovo, bola
rebola no banco e ja ereta
esperta faz qualquer questão que for
soar a dor nos ouvidos dos papais
demais, questão sacal para o mundo
Os pais negam-se a a entender
e ver o jogo da sorte imposto
preferem a não-resposta
aposta no não ao invés de enxergar
e lembrar que ha pouco eram eles no banco de trás
Gesticulando, mar revolto de idéias
estrelas, cores, abelhas, galiléia
a morte se desconhece, nem se fala
então tudo é vida, enquanto masca a bala
e é dúvida… duvida e não se cala.
Papais param, criança não
sorri-lhes bobos, lembraram!
de que é preciso paciência
inocencia para o começo da vida de seus grãos
são ainda novos habitantes em solo de pontos de interrogação.
***
Demora, embola, a hora, agora enrola demais,
trás pra mim o doce da boca
jabuticaba ou mel liberto
creio ser menino que diz tanto faz
qualquer vindo de ti me satisfaz
Sou pobre flagelo, limpo e tão belo
vejo e venero, seu corpo em marmelo
ora de capelo, ora esqueço do esmero
e ponho me a ver tua face sorrir
luzir, partir, deprimir, queres ir?
És o que quero, mas não sei se espero
não sei se parto e te deixo a me ver
de costas as coisas de ti
dou cara ao meu novo camin’
de vergonhas coradas há de aprender
Dinheiro nenhum ou cantiga não nego
sou filho de homem sincero
nascido e crescido em berço balanceiro
Sou neto de avó preocupada
que me mostra seus braços bons
até quando chego a madrugada.

Nomes soam grandiosos
Sou mais eu de novo
Ao passo que podam galhos
Ventres, casas; erguem cidades
População, popularidade
Sou mais eu de novo
Ao passo que sobem palanques
Prédios, chaminés, ídolos.
Doenças secundárias padecem
Sou mais eu de novo
Ao passo que seio da mãe que alimenta
E a criança cresce sofrida
Eleitos heróis, esbaforidos, deslizam
Em metais polidos sob aro 20.
Ao passo em que passo inerte
Pelo mundo todo que me diverte
O que dizem